
Sócio de clínica de reabilitação em Antonina é preso; mais 10 mulheres resgatadas
O coordenador do espaço que funcionava como centro de tratamento para pessoas com dependência química já havia sido detido anteriormente
Mais dez mulheres foram resgatadas da clínica privada de reabilitação em Antonina, no Litoral do Paraná, onde outras cinco internadas já haviam sido retiradas pela polícia no início da semana. O sócio administrador do estabelecimento, um homem de 50 anos, foi preso na quarta-feira (26).
Na segunda-feira (24), o coordenador do espaço que funcionava como centro de tratamento para pessoas com dependência química foi detido e as outras cinco mulheres mantidas em situação de cárcere privado foram resgatadas após uma denúncia. Uma delas, de 22 anos, foi encontrada algemada e trancada em um quarto sem banheiro, onde era obrigada a fazer as necessidades em um balde.
Internações irregulares
A princípio, o restante das internas permaneceram no local, mas em nova diligência, motivada por informações adicionais, a equipe policial constatou a presença de mais vítimas internadas irregularmente.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações revelaram que, embora as pacientes não estivessem confinadas em ambientes fechados ou em condições degradantes no momento da abordagem desta quarta-feira, suas internações não foram comunicadas ao Ministério Público do Paraná (MPPR), como exige a legislação.
O delegado Emmanuel Lucas Soares explica que o responsável pela clínica foi autuado por manter as pacientes sem atender aos requisitos legais necessários, configurando o crime de cárcere privado.
“O Ministério Público do Paraná acompanhou a operação, requisitou documentos da clínica e emitiu uma recomendação para sua interdição, além de solicitar judicialmente a suspensão das atividades”, disse Soares.
As vítimas foram resgatadas com o apoio da Assistência Social de Antonina, passaram por acolhimento inicial e começaram o processo de reintegração com suas famílias, após acompanhamento médico e psicossocial.
Maus-tratos na clínica de reabilitação de Antonina
Segundo a Polícia Civil, durante a ação na segunda-feira as internas relataram maus-tratos praticados pelos funcionários da clínica. Testemunhas confirmaram a existência de um ambiente conhecido como “quarto zero”, utilizado para isolar pacientes que não obedecessem às regras impostas. Elas eram obrigadas a fazer suas necessidades fisiológicas em baldes e, por vezes, eram algemadas. Além disso, as internas tinham seus contatos com familiares monitorados e frequentemente interrompidos.
*Com AEN
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