
Policiais militares são afastados por cobrança de propina no Paraná
A investigação aponta que as irregularidades ocorriam durante abordagens na BR-277; as vítimas eram pessoas que realizavam compras no Paraguai
Oito policiais militares foram afastados de suas funções públicas, nesta quinta-feira (6), sob a suspeita de cobrarem propina de pessoas que realizavam compras no Paraguai durante abordagens feitas na BR-277. A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
“A investigação em questão, desde sua primeira fase, busca apurar a suposta prática de crimes de organização criminosa, corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro”, explica o promotor de Justiça Tiago Lisboa Mendonça.
Os alvos investigados são policiais militares que já estiveram ou ainda estão lotados no Destacamento da Polícia Militar em Santa Terezinha de Itaipu, no Oeste do Paraná, localizada a poucos quilômetros de Foz do Iguaçu, cidade fronteiriça com o país vizinho.
De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), os policiais solicitavam o pagamento de propina, preferencialmente via Pix, para não apreenderem as mercadorias e nem encaminharem os compristas abordados às autoridades competentes.
Ao todo, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Paraná, o Gaeco cumpriu 14 mandados de busca e apreensão nas cidades de Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, ambas no Paraná, e na cidade de Joinville, em Santa Catarina, em endereços vinculados a nove policiais militares, quatro particulares, incluindo um policial militar exonerado, e na própria sede do Destacamento da Polícia Militar em Santa Terezinha de Itaipu.
As ordens foram deferidas pelo Juízo da Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual do Paraná. Foram apreendidos aparelhos celulares, documentos, computadores, valores em espécie e objetos ilícitos em poder dos investigados, para auxiliar na apuração de investigação.
Segundo o promotor, dois policiais militares foram presos em flagrante durante a operação. “No cumprimento dos mandados de busca e apreensão foram realizadas duas prisões em flagrante de policiais militares em razão do porte e posse ilegal de munição, além de posse ilegal de uma arma de fogo e selecionadores”, diz Mendonça.
As investigações da operação batizada como ‘Chave Pix’, conduzidas pelo Gaeco de Foz do Iguaçu, tiveram início em outubro de 2023. Segundo apurado, os valores repassados via Pix eram depositados em contas de terceiros, que posteriormente transferiam o dinheiro a contas de familiares dos policiais militares.
A primeira fase da operação foi deflagrada em dezembro de 2023, tendo como alvos dois militares e três particulares/civis. Na época, foi averiguada a possível existência de uma organização criminosa, o que levou à oitiva de cerca de 100 pretensas vítimas e à identificação de outros policiais militares e particulares envolvidos no esquema.
*Com MPPR
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