
Movimento nas estradas exige responsabilidade dos motoristas durante o Carnaval
A Via Araucária prevê um aumento de 30% no fluxo de veículos; a EPR Litoral Pioneiro estima que cerca de 375 mil veículos passarão pela BR-277, sentido Litoral
O Carnaval é uma celebração que combina diversão, cultura e grande fluxo nas estradas brasileiras. Somente nas rodovias administradas pela Via Araucária, que abrangem os contornos norte e sul de Curitiba, as interligações entre municípios da região metropolitana e a rota entre a capital e Guarapuava, a expectativa é de um aumento de 30% no fluxo de veículos. Durante o período, mais de 516 mil veículos devem passar por esses trechos.
O feriadão também promete intensa movimentação na BR-277, que liga Curitiba ao Litoral do Paraná. A EPR Litoral Pioneiro estima que cerca de 375 mil veículos passarão pelo trecho, com um total de 835 mil veículos nas rodovias sob concessão.
O alto fluxo eleva o risco de acidentes, com especial preocupação para colisões envolvendo carretas e caminhões, cujas consequências costumam ser ainda mais graves. Em 2024, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 3.291 mortes em acidentes envolvendo caminhões e ônibus, representando um aumento de 26% em relação aos 2.611 registros de 2023. Embora os ônibus transportem mais pessoas, os acidentes com caminhões resultaram em mais vítimas, com 2.884 óbitos, em comparação aos 407 relacionados a ônibus.
O Paraná está entre os estados que concentram 51% das mortes em acidentes envolvendo veículos pesados, representando 10% dos casos, atrás apenas de Minas Gerais (13%) e Bahia (10%). O estado supera Santa Catarina (6%), Rio Grande do Sul (6%) e Rio de Janeiro (5%). Segundo a PRF, os acidentes nessas regiões aumentaram 62% em relação a 2023.
De acordo com o presidente do Sistema Fetranspar, Coronel Sérgio Malucelli, muitas das colisões com veículos de carga são traseiras: “As colisões traseiras dentre os veículos pesados têm sido a tônica, ou seja, negligência e imprudência são umas das causas”.
Malucelli destaca que a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná atua junto às empresas e aos profissionais liberais sempre incentivando as boas práticas na direção. No entanto, ele ressalta que é preciso uma fiscalização mais dura por parte das forças de segurança para garantir que as leis sejam cumpridas, assim como a penalização dos infratores.
“A Fetranspar sempre orienta de forma ao empresário de transportes manter a manutenção do equipamento em perfeitas condições, oportunizando a todos, inclusive a autônomos mais de 140 cursos no Senat focados em dirigibilidade com segurança e cuidado. Entretanto, ressalta-se a necessidade de uma maior fiscalização através dos agentes de segurança viária, assim como, autuar de maneira incisiva os embarcadores que excedem o peso do produto a ser transportado. Enfim a responsabilidade para redução de acidentes deve ser compartilhada por todos os atores”, declara.
Boas práticas para reduzir riscos ao trafegar com caminhões
Apesar de acidentes não serem totalmente evitáveis, motoristas de veículos menores podem adotar medidas para reduzir riscos ao dirigir perto de caminhões. Luiz Fernandes, especialista em logística e diretor operacional da GCF Transportes, recomenda que as ultrapassagens sejam feitas com cuidado, verificando o tráfego atrás, mantendo espaço adequado e utilizando as setas corretamente. Além disso, é importante evitar retornar à faixa direita muito próximo ao caminhão, pois este requer mais espaço para frenagem.
Fernandes sugere que os motoristas fiquem atentos às rodas dos caminhões para identificar mudanças de faixa e não concorram com eles em descidas, onde veículos pesados podem ganhar velocidade. Ele também destaca a importância de evitar os pontos cegos dos caminhões e ser cauteloso em curvas acentuadas, devido à mobilidade limitada desses veículos. Em dias chuvosos, recomenda-se não fazer ultrapassagens quando os caminhões estão gerando spray d’água, pois isso compromete a visibilidade e a capacidade de reação.
Por fim, Fernandes faz um alerta: “Na dúvida, não ultrapasse. Muitos acidentes graves acontecem por decisões impulsivas, como confiar que ‘vai dar tempo’. A prudência deve sempre se sobrepor à pressa”.
Maior cuida do menor
Já os motoristas de caminhão devem seguir a regra “maior cuida do menor”. Isso significa que devem ter atenção redobrada ao dividir a estrada com carros, motos, bicicletas e pedestres, adotando comportamentos preventivos para evitar acidentes. Essa ideia promove um trânsito mais seguro e colaborativo, reconhecendo que, em caso de colisão, os veículos menores tendem a sofrer danos mais graves.
Para Luiz Novinski, gerente operacional da GCF, respeitar os limites de velocidade em trechos movimentados e utilizar os faróis baixos durante o dia como indica a lei é fundamental. Ele também destaca a importância de evitar frenagens bruscas, devido ao peso dos caminhões.
“Em situações de trânsito lento ou parado, mantenha uma distância de dois a três carros do veículo à frente e sempre monitore os retrovisores, mantendo o motor ligado e os cintos afivelados. Utilize o pisca-alerta para indicar que o trânsito está parado”, acrescenta o gerente.
Com Assessoria
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