
Erádio, maior artilheiro num Atletiba, comemora 90 anos
Erádio detém há 71 anos o recorde de quatro gols num mesmo clássico entre os dois principais clubes do futebol paranaense.
Destaque do time juvenil, Erádio estava às vésperas de completar 19 anos quando estreou como titular no time do Athletico, no jogo contra o Coritiba pelo Torneio João Todeschini. Foi em 17 de março de 1954, no estádio do Coxa, era ainda era denominado Belford Duarte e que naquela data estava inaugurando o seu moderno sistema de iluminação para jogos noturnos. O Athletico ganhou de 4 a 3. O jovem Erádio fez os quatro gols do rubro-negro, três deles no primeiro tempo.
O feito de Erádio é histórico e não foi repetido nestes 71 anos que se seguiram com dezenas de repetecos do principal clássico do futebol paranaense. Antes dele, somente outros dois atletas tinham marcado quatro gols em Atletibas: Ninho, em 8 de junho de 1924, fez quatro na vitória do Coritiba por 6 a 3, enquanto Guará fez os quatro na vitória do rubro-negro por 4 a 2, em 15 de julho de 1946.

A deferência especial a Erádio Gonçalves dos Santos Filho vem em dose dupla nesta semana. Primeiro pelo feito do dia 17 de março, lá em 1954. E no dia 19 pela passagem de seu aniversário de 90 anos, que está comemorando em Foz do Iguaçu ao lado de um dos dois filhos, o Robson (ele também é pai de Lys). E o aniversariante foi merecedor de um bolo especial em sua passagem pela Pousada Sonho Meu, lá nas Três Fronteiras.

Erádio começou a sua carreira no juvenil do Ferroviário e, ainda amador, chamou a atenção de olheiros do Athletico, que o levaram para treinar no clube. Impressionou o técnico Otavio de Castro, o Vico, com sua marca de goleador. A estreia com quatro gols credenciou-o a participar do segundo Atletiba em apenas seis dias, desta feita na Baixada e valendo o título do Torneio João Todeschini, que homenageava o industrial ítalo-brasileiro, um dos grandes batalhadores do Esporte Clube Água Verde.
A segunda partida terminou em 6 a 3 para o rubro-negro. Teve um dos gols de Erádio, que confirmou assim o título e a artilharia do certame disputado em turno e returno entre os três principais times da Capital da época. O rubro-negro terminou o certame invicto. Ao todo em sua curta carreira, Erádio participou de cinco Atletibas e nunca perdeu: foram quatro vitórias e um empate, como ele conta.
À época, chegou a ser cogitado para jogar no Flamengo, no Rio, mas recorda ter sido boicotado por dirigentes e decidiu interromper a carreira no futebol, então com seus ganhos limitados. Voltaria tempos depois a jogar e marcar gols pelo Água Verde, mas viu que poderia ter uma vida melhor em família trabalhando como representante comercial. Jamais deixou a paixão pelo Athletico, acompanhando os jogos e convivendo sempre que possível com os boleiros parceiros.

Em 1999, o ETA (Esquadrão da Torcida Atleticana), fundado em 1972, homenageou Erádio com o diploma de “Atleticano do Século”, por “sua atuação em favor do nosso querido Clube Atlético Paranaense” (seguindo a grafia antiga). Saudado sempre pelo feito histórico, o ex-jogador recorda que só não fez o quinto gol naquele jogo por causa de uma brincadeira. Recorda que, depois de driblar o goleiro Hamílton, sentou na bola antes de tentar empurrá-la para o gol. Um zagueiro chegou antes e deu início a uma confusão, que se repetiria ao término do jogo, depois de Erádio e Marcio, zagueiro coxa-branca, terem trocado socos e darem início a uma briga generalizada.
“A confusão foi geral depois que o juiz apitou o fim do jogo. Até a torcida invadiu o campo”, recorda o artilheiro. De acordo com ele, além da nova iluminação, o então alvinegro – como era chamado – estava apresentando à torcida como grande destaque o atacante Ivo. “Vamos dizer que eu roubei a cena, com a sequência de gols que começou aos 11 minutos do primeiro tempo e que a imprensa depois qualificou como ‘sensacional’, pelo baile na defesa”.
Erádio conta que a apresentação apagada de Ivo no antigo Belford Duarte (a mudança do nome para Major Antonio Couto Pereira veio em 1977, após a reforma) ganhou contornos de protesto da torcida quando ele perdeu um pênalti aos 13 minutos do segundo tempo, chutando a bola na trave. A esta altura o jogo já estava quatro a zero. O Coritiba reagiu no finalzinho, marcando com Periquito e duas vezes com Ivo, que se redimiu um pouco com os torcedores. No jogo seguinte, cita o artilheiro, além de seu gol, o rubro-negro virou o placar adverso com Ico (dois), Sano (dois) e Boluca. Max (dois) e Periquito marcaram para o Coritiba.
Aposentado há muitos anos, mas com muita saúde e energia, Erádio continua morando em Curitiba e tem entre seus programas preferidos viajar, o churrasquinho, a cervejinha e o baralho com amigos, veteranos como ele. E futebol, claro, nunca falta nas conversas. Foz do Iguaçu e Balneário Camboriú (SC), onde o filho Robson mora, são os destinos preferidos de Erádio, que no “período” do caranguejo gosta de saborear a iguaria.

O ex-jogador tem grande respeito pelo nome de Jofre Cabral da Silva, “um athleticano como poucos e que deu nova dinâmica ao clube”, e pelos amigos Coelho (o da loja do centro curitibano) e Macedo, “ferrenho athleticano da Boca”. Entre os seus maiores ídolos estão Ruy Gottardi, a quem se refere como “o cérebro, a máquina”, e Jackson, “o imortal”. Erádio orgulha-se em mostrar uma foto em que aparece abraçado com ambos, ele ao centro.
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