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Traição na política e as reflexões de Ulisses Guimarães
Foto: Mateus Bonomi/Agif/Folhapress

Traição na política e as reflexões de Ulisses Guimarães

Ratinho Junior receberá Bolsonaro para almoço dia quatro de abril no Palácio Iguaçu para discutir Palácio do Planalto e Senado.

Pedro Ribeiro - sexta-feira, 21 de março de 2025 - 09:47
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O sábio Ulisses Guimarães acreditava que lealdade e compromisso com princípios eram fundamentais e quem traía esses valores não merecia perdão. É dele a frase: “a única coisa que não perdoo na política é a traição”. Esta firme posição não se apagou no tempo ou na memória dos políticos como recentemente veio a ser lembrada quando o ex-juiz federal, Sérgio Moro (UB), traiu o Podemos de Álvaro Dias.

A informação de que o governador paranaense, Ratinho Junior (PSD), vai receber o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para almoço no Palácio Iguaçu, em Curitiba, no dia quatro de abril, com a presença de prefeitos e lideranças políticas do Paraná, causou frisson no Centro Cívico.

Foto: Jonathan Campos/AEN

Traído por Bolsonaro que se debandou para o lado de Cristina Graeml nas eleições à Prefeitura de Curitiba, não é coisa que se esquece tão facilmente. O inelegível e com risco de ser preso, tentará forçar a candidatura do deputado Felipe Barros ao Senado, onde o Paraná terá duas vagas em 2026.
Ratinho Junior tem um projeto nacional e, para isso, tem que fazer alianças e, mais tarde, acordos com todos, embora há quem sustente que o PSD de Gilberto Kassab vá fechar com o atual governo, onde tem três ministérios. Sobraria, para viabilizar sua candidatura, o Republicanos.

Essa estratégia, no entanto, está nas mãos do secretário de Comunicação Social, Cleber Mata, e do secretário-chefe da Casa Civil, João Carlos Ortega. Corre por fora, o apresentador e pai do governador, Carlos Massa, o Ratão.

Cleber Mata secretário da Comunicação Paraná
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Mata, com a experiência de quem esteve ao lado do ex-governador paulista, João Dória, sabe que Ratinho Junior, com pouco mais de 40 anos, precisa enfrentar uma campanha política nacional para se preparar. Tem que conhecer a seca e a dura vida do povo do sertão nordestino, os problemas da Amazônia e as riquezas do Centro Oeste e do Sul, abaixo do Paraná. Uma longa jornada, para almejar um voo mais certo em eleições futuras, quando ainda será um jovem promissor na política brasileira.

Para dar continuidade a esse projeto, o governador deverá declinar de uma vaga no Senado, dando a outra para Barros. Ratinho Junior ficaria sem participar da política? Esta é a pergunta que, também, está nas mesas de trabalhos de Matta e Ortega.

Foto: Gilson Abreu/AEN

No caso de uma derrota para Lula ou mesmo Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior poderia retornar ao Estado e assumir uma pasta no governo que, hoje, estaria nas mãos do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD) ou de seu parceiro, Guto Silva (PSD) para continuar a manter seus contatos políticos e até mesmo voltar ao Palácio Iguaçu.

O desfecho deste quadro vamos ver e acompanhar nos próximos meses. Se Bolsonaro vier a ser preso, Mata terá que ter uma carta na manga para aproveitar e ajustar as peças no tabuleiro. O que vemos, hoje, é uma mudança radical nas redes sociais em defesa de Lula e desarticulação do grupo bolsonarista, principalmente com o “suposto” pedido de asilo de Eduardo Bolsonaro ao governo americano.

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