
Ratinho Junior antecipa sucessão e movimenta bastidores da Assembleia Legislativa
Segue andando a passos largos ou lentos a reforma do secretariado do governador Ratinho Junior (PSD).
No dia 24 de março de 2025, o governador Ratinho Junior concluiu a reforma de seu secretariado, destacando a nomeação de Guto Silva para a poderosa Secretaria das Cidades — uma das pastas mais estratégicas, com amplo alcance nos 399 municípios do Paraná. Guto, conhecido por sua lealdade e alinhamento irrestrito ao governador, consolidou ainda mais sua posição como peça-chave no núcleo do governo.
A decisão, no entanto, não passou despercebida na Assembleia Legislativa. Deputados interpretaram a movimentação como uma antecipação do processo eleitoral estadual, gerando desconforto entre parlamentares, inclusive dentro do próprio PSD, partido de Ratinho Junior, onde outros nomes também buscam espaço na corrida sucessória.
Entre os aliados mais próximos do governador, destacam-se também o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o recém-nomeado secretário da Agricultura e Abastecimento, deputado Marcio Nunes. Curi, com sua atuação marcada por disciplina e articulação, mantém-se como um dos pilares do governo. Já Nunes, conhecido no interior como “pau para toda obra”, constrói silenciosamente sua própria trajetória, com ambições que não se escondem.
Outro nome que desponta nos bastidores é o do ex-prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos, que, ao lado de Curi e Nunes, tem se mostrado peça importante na sustentação política do governo, ajudando a pavimentar o caminho para a continuidade do projeto liderado por Ratinho Junior.
A movimentação do governador, vista por muitos como prematura, provocou intensas reuniões entre deputados no gabinete de Alexandre Curi, que viveu um de seus dias mais agitados desde que assumiu a presidência da Casa.
Um ex-deputado, em conversa reservada, revelou o que se comenta nos bastidores: o núcleo estratégico do governo tem trabalhado com base em relatórios, planilhas e pesquisas para garantir a manutenção do poder. A leitura interna é de que, sem um grupo coeso e leal, novas lideranças poderiam emergir — com Curi e o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, como possíveis protagonistas desse movimento.
O objetivo do grupo de Ratinho Junior, portanto, parece claro: consolidar sua base, evitar divisões internas e impedir o surgimento de uma nova força política que possa desafiar a atual estrutura, conhecida como a “república de Jandaia”.
Alexandre Curi, que levou 300 prefeitos para sua posse na presidência da Assembleia Legislativa, foi ovacionado durante o aniversário de 49 anos do MDB e lideranças do partido pediram sua volta para concorrer ao Palácio Iguaçu. Greca, por sua, disse em uma entrevista, que não precisa do governo para ser candidato.