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Kobra inaugura nesta terça obra no Moinho Anaconda, em Curitiba
Foto: Divulgação

Kobra inaugura nesta terça obra no Moinho Anaconda, em Curitiba

Em gigantesco conjunto de silos, obra de 5 mil metros quadrados celebra a importância do mais universal dos alimentos e de todos os trabalhadores envolvidos na sua produção.

paranaportal - segunda-feira, 17 de março de 2025 - 13:57
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O muralista brasileiro Eduardo Kobra irá inaugurar a segunda maior obra de sua carreira, confeccionada no Moinho Anaconda, em Curitiba, nesta terça-feira (18). O mural “Ciclos” mede 5 mil metros quadrados e envolve um conjunto de 10 enormes silos da  tradicional fabricante de farinhas presente na capital paranaense. 

Reconhecido mundialmente pela grandiosidade e pelo impacto visual de seu trabalho, o artista buscou valorizar o mais universal dos alimentos e, ao mesmo tempo, realçar a importância de todos os trabalhadores envolvidos no processo de sua produção, do cultivo do trigo à fabricação do pão.

“Busquei destacar o caminho que faz com que o pão chegue à mesa das pessoas. Ilustrei o trigo que é transformado em pão, mas também quis valorizar o trabalhador, aquele que cultiva a matéria-prima, aquele que trabalha na fábrica de farinha, aquele que faz o pão”, diz o artista. “E devemos nos lembrar de todo o simbolismo do pão para a humanidade: é praticamente sinônimo de alimento e, como vemos na Bíblia, está ligado às ideias de partilha, de comunidade, de fraternidade”, completa.

Essa é a primeira obra do artista na cidade. “Também é a primeira vez que pinto uma obra que abarca simultaneamente dez silos. Tanto as dimensões como o formato foram um desafio que tornaram este trabalho ainda mais interessante para mim.”

O projeto é uma iniciativa do Moinho Anaconda, que convidou o artista para produzir a obra em suas instalações da unidade de Curitiba, no bairro Jardim Botânico, pertencente à empresa desde 1957. Nesse espaço diferenciado, Kobra ilustrou as três fases principais que simbolizam a transformação do cereal em icônico alimento. Na primeira imagem, calejadas mãos trabalham na colheita do trigo. Na segunda, é mostrada a farinha manuseada e transformada em massa para o pão. Por fim, a cena final exalta o pão já assado em um gesto de oferecimento. 

“Este projeto, que muito nos honra, inaugura as comemorações pelos 75 anos da empresa, a serem celebrados em 2026”, comenta Isa Telles, Gerente de Marketing e Trade do Moinho Anaconda.

“Este é um presente nosso para essa cidade que há tantas décadas nos acolhe de braços abertos. Curitiba é um lugar onde arte e cultura são muito valorizadas e estamos muito felizes com o resultado do projeto. Esperamos que passe a fazer parte da paisagem da cidade”, diz Vicente Setta, Diretor da Unidade de Curitiba do Moinho Anaconda. 

Não é a primeira vez que Kobra empresta seu talento para ressaltar um processo produtivo de alimentos. Na sua maior obra, por exemplo, que desde 2017 detém o recorde de maior mural do mundo segundo o Guinness, ele exaltou o cacau e a produção do chocolate — o trabalho fica às margens da Rodovia Castelo Branco, na Região Metropolitana de São Paulo, e mede 5,8 mil metros quadrados. 

Mais recentemente, no ano passado, ele executou na cidade de São Paulo um mural chamado de ‘A Arte da Lavoura’, por meio do qual expressou um carinho e uma gratidão especial àqueles que se dedicam à agricultura, garantindo a produção de alimentos.

“É com grande satisfação que o Moinho Anaconda apresenta um artista de tamanha expertise e renome internacional para esta iniciativa, uma homenagem à cidade que nos acolhe com tanto carinho há décadas”, diz Maximiliano Piermartiri, Diretor-Presidente do Moinho Anaconda.

O artista mostrou parte do processo de criação em sua página no Instagram. Veja:

Sobre o artista

Em seus quase 40 anos de carreira, Eduardo Kobra já executou centenas de obras em todo o país e mais de 80 ao redor do mundo, com trabalhos nos cinco continentes.

Nascido na periferia de São Paulo em 1975, ele alcançou reconhecimento global como um dos artistas mais celebrados da atualidade. Kobra começou a se expressar na adolescência, como pichador na periferia de São Paulo. Com o passar do tempo, amadureceu e desenvolveu seu estilo marcante de muralismo, caracterizado por cores vibrantes e contrastantes, e sua habilidade para retratar personalidades, fatos históricos e questões sociais em murais gigantescos.

O destaque internacional de Kobra tem como marco a obra ‘O Beijo’, feita em Nova York. Em 2018, ele pintou simultaneamente 20 trabalhos na cidade americana e acabou sendo reconhecido como o nova-iorquino do ano por uma importante revista local.

Ele detém o recorde de maior mural grafitado do mundo e tem sido convidado, de forma recorrente, para atuar em trabalhos ligados a importantes causas — recentemente, por exemplo, fez um mural no prédio-sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Kobra também vem realizando constantes exposições de telas em galerias e museus, nos Estados Unidos, na Itália e no Brasil, entre outros países. Em 2023, teve sua história contada em filme — o documentário ‘Kobra Auto-Retrato’, feito pela prestigiada cineasta Lina Chamie, ganhou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro daquele ano.

Kobra sempre foi sensível a causas sociais e acredita na arte como instrumento de transformação social. Por conta disso, ele é o fundador-presidente do Instituto Kobra, organização que busca aproximar a cultura de quem tem menos acesso e apoiar causas humanitárias, por meio de parcerias com empresas solidárias.

Com Assessoria

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