
Motofretistas buscam alternativa ao iFood em Curitiba
Representantes da classe trabalhadora participaram de uma audiência pública na Câmara Municipal
Representantes dos motofretistas de Curitiba, também conhecidos como motoboys, participaram de uma audiência pública na Câmara Municipal para discutir a implantação de um aplicativo de entregas autogerido pelos motofretistas, com o objetivo de fornecer condições dignas de trabalho para a classe, assim como pagamentos compatíveis com as distâncias percorridas.
Durante o encontro, promovido na quarta-feira (19) pela Delegada Tathiana Guzella (União), o assessor da parlamentar e presidente estadual do Motoclube Abutres, Denis Marciano, relatou as tratativas com o Motoka BR, um aplicativo criado para ser um concorrente do iFood, da Uber e de outros aplicativos que utilizam serviços dos motofretistas, mas adequado às necessidades dos trabalhadores, e não dos empresários.
“[A disponibilização do Motoka BR no Paraná] está sendo moldada e preparada por vocês [motofretistas], não é por um empresário que quer ganhar dinheiro em cima dos motoboys, não. Mas a gente precisa se organizar e se disciplinar. Nos motoclubes, a gente diz que é preciso sacrificar 1 dia para ter 30 dias de glórias. Se vocês tivessem sacrificado hoje para lotar os arredores daqui [da CMC], eu tenho certeza que o governo nem discutiria, só assinaria o que vocês estão pedindo. Foi assim que a gente conseguiu a isenção do pedágio [para motos até 170 cilindradas]”, disse Marciano.
Em resposta, a vereadora incentivou os motofretistas presentes na audiência pública a discutirem essa alternativa de autonomia profissional com o Motoka BR.
Presente na audiência, o deputado estadual Tito Barichello (União) ressaltou a falta de seguros e assistência para a classe profissional dos motofretistas, assim como aos valores pagos pelas chamadas corridas.
“O Hospital do Trabalhador está lotado de motoboys [vítimas de acidentes de trânsito], alguns ficarão aleijados, outros perderão a vida. Qual a remuneração têm que ter para correrem esses riscos? Não é possível ganhar R$ 5 ou R$ 6 para atravessar a cidade. Isso é exploração do trabalho humano”, afirmou o deputado.
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O deputado e a vereadora Tathiana ainda destacaram a importância da mobilização da categoria para a obtenção de conquistas. “Não existe conquista de direitos sem luta. Sou a favor de uma luta ordeira, mas se tiver que fazer paralisação, tem que fazer, sim”, declarou a parlamentar sobre o assunto.
*Com Câmara Municipal de Curitiba
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